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| "2010: Promessas Adiadas ou Desejos Realizados?" |
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| Escrito por Carlos Alberto |
| Sex, 15 de Janeiro de 2010 11:20 |
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“Muda de vida se tu não vives satisfeito,
(…) Muda de vida, se há vida em ti a latejar” António Variações, in Muda de Vida
Ah! O início de um Novo Ano! Aquele momento mágico em que sentimos o renascimento do nosso ser! Em que fazemos as habituais juras e promessas de alterar as nossas imperfeições, de mudarmos hábitos e de renovarmos os propósitos de melhorar as nossas condições de vida. -Pois, pois… – concorda o desconfiado leitor destas linhas, enquanto pensa nos desejos que recentemente formulou enquanto comia as doze passas na passagem do ano. – Mas como atingir ou realizar essas alterações? – pergunta ainda com cepticismo. Muito fácil, caro leitor, acima de tudo, basta-lhe um ingrediente: a vontade. Depois de a ter, junta-lhe algumas pequenas mudanças na sua rotina semanal, devidamente apetrechadas com alguns materiais ou objectos, indispensáveis para usufruir dessa mudança do seu modo de vida. -Pois, pois… isso é tudo muito bonito, mas eu cá gosto de coisas práticas e palpáveis… afinal, em que consiste essa proposta de transformação da minha rotina? – volta a questionar o inquieto leitor. Ora bem, que diz a participar numa iniciativa semanal, que se realiza habitualmente nas manhãs de todos os Domingos, com concentração nas Colinas do Cruzeiro, em salutar convívio com amigos, familiares e vizinhos, onde todos são companheiros em actividades que promovem tanto o bem estar físico, como a saúde mental? -Ok, pronto, já percebi…é mais uma estória para captar incautos cidadãos para seitas religiosas ou coisas do género…para mim, obrigado, mas eu dispenso…- desabafa já o descrente leitor, enquanto se prepara para mudar de link. Calma, não é nada disso…nessas actividades ninguém lhe promete o reino dos céus. Antes pelo contrário. Uma simples e pura comunhão com a terra…literalmente. Trata-se de passeios de bicicleta, promovidos pelas Colinas Bike Tour (CBT). -Ah, sim, já ouvi falar…são uns tipos que se limitam a dar umas pedaladas aqui pelo bairro…não sei, não me parece que seja algo muito estimulante ou desafiador, para combater o stress do dia a dia ou alterar o meu estado de espírito…mas afinal que passeios são esses? – interroga-se o leitor, concedendo algum benefício de dúvida à proposta. Muito bem, vamos então a um exemplo prático: se neste último Domingo, dia 10 de Janeiro, o caro leitor tivesse comparecido, pelas 9 horas, no largo em frente ao Lote 1 da Rua Pulido Valente, poderia ter usufruído da 63.º edição das CBT, que tão depressa não esqueceria. O frio que se fazia sentir, depressa seria ultrapassado pela calorosa recepção que lhe fariam os habituais companheiros destas pedaladas domingueiras. O percurso a realizar, como é habitual, decide-se ali, tendo em atenção as capacidades pedalantes de cada um dos presentes. Nesse dia e por unanimidade, deliberou-se uma ida até à Praia da Torre, em Oeiras (de resto, o banho já estava incluído, face à ameaça de chuva que se fazia sentir…). Assim, partimos em direcção à Ecopista da Paiã (um lugar especial para as CBT, pois foi ali que elas nasceram e deram os primeiros passos, perdão, pedaladas) e subida até à Pontinha. Aqui impõe-se, desde já, um parêntesis, para uma explicação científica: apesar da palavra “subida” impressionar muito os estreantes (e não só…) das pedaladas, as subidas são essenciais para fomentar o aquecimento dos músculos dos praticantes. E à medida que os músculos vão aquecendo, também vai aumentando o rendimento e a capacidade para pedalar. Além do mais, devemos sempre ver as coisas pelo lado positivo: uma subida, como diz o nosso Guru das CBT, não é mais que uma descida invertida! Continuemos, portanto, e chega-se à Pontinha, onde, no seu perímetro, se apanha uma ciclovia, recentemente construída, que nos leva até Monsanto. Aqui chegados, percorrem-se os trilhos especialmente feitos para os amantes do BTT, embora também se possa circular pelas estradas florestais que circundam aquele pulmão verde de Lisboa. Enquanto percorremos aqueles trilhos, a chuva faz-se anunciar e sentir. Mas com o equipamento de Inverno, os betetistas não hesitam em desafiar os aguaceiros… Por outro lado e mais uma vez, importa ver o lado positivo das coisas: a possibilidade de trilhar caminhos, cheios de caruma, com flora verdejante e com aquele cheiro verdadeiramente único a terra molhada, é uma experiência e sensação que só é proporcionada a quem se aventure no contacto directo com a Natureza. Depressa chegámos ao início da Av. Das Descobertas, no Restelo, onde uma descida estimulante nos coloca na rotunda de Algés. Passagem por debaixo da estação da CP e aí estamos nós do outro lado da Marginal, num passeio marítimo que ainda nos refresca mais, saboreando os salpicos das ondas do mar que insistem em atravessar-se no nosso caminho. Depois de na Cruz Quebrada termos atravessado uma ponte ferroviária, por cima de um canal de águas revoltosas, numa experiência singular e simultânea com um comboio que igualmente se cruza connosco, vamos desaguar em plena Marginal, que nos conduz até à dita Praia da Torre, já perto da Parede. E pedalar na Marginal, fazendo a “fundo” a curva do Mónaco, enquanto escorríamos água por todos os lados, face à chuva intensa que já caía, ao mesmo tempo que víamos o olhar invejoso dos ocupantes dos carros domingueiros, aconchegados no calor das suas máquinas de alta cilindrada, é algo que tão depressa não se esquece… Mas chegados à mencionada Praia, é altura de ir tomar uma bebida quente e reconfortante ao “iate clube” da respectiva marina. A surpresa de ver entrar aquele peculiar grupo de ciclistas, encharcados e gelados até aos ossos, mas muito satisfeitos com a sua prestação, retirou qualquer hipótese aos empregados de negarem a nossa entrada, apesar do olhar reprovador dos demais clientes, que por aquelas 11 horas ainda tomavam o seu breakfast. E depois, para quem aprecia o lado dandy da vida, nada como pedir um chá ao balcão e ir saboreá-lo cá fora na esplanada vazia em frente aos barcos da marina, com um traje de ciclista completamente ensopado, enquanto fuma um pensativo cigarro, pensando já na volta de regresso. Como os companheiros reclamavam pela saída, são horas de voltar a montar o selim daquelas gloriosas máquinas pedalantes e fazermo-nos novamente à Marginal, rumo a Algés. Desta vez, enfrenta-se a descida invertida da Av. Das Descobertas até ao Restelo e Monsanto, mas com a solidariedade dos restantes companheiros, uns à frente a puxar, outros ao lado a incentivar, até mesmo para os menos calejados nas pernas é possível progredir naquele terreno, nem que para isso seja necessário meter a mudança mais baixa das 27 velocidades da bicicleta… Ultrapassado Monsanto, novamente a Pontinha e depois daquela descomunal descida da Escola Agrícola da Paiã (esta já feita na mudança mais alta das 27 velocidades...), começa-se a avistar as Colinas, o que ajuda a recuperar as forças para vencer a derradeira subida, desde o Odivelas Parque até local inicial da nossa partida. À chegada, todos sofremos de um sentimento contraditório, isto é, por um lado uma satisfação incontida pela superação do desafio, mas, por outro, uma certa nostalgia, por a pedalada já ter acabado e ainda faltar uma semana para a próxima… Todavia e conforme é defendido por alguns ciclistas, a seguir ao prazer da pedalada, segue-se sempre um outro prazer que não é de menosprezar: o deleite de um banho bem quente, seguido de uma refeição apetitosa e rematada com uma sesta retemperadora, que nos rejuvenesce e deixa aptos a enfrentar o início da semana laboral que se aproxima. E depois, quando for tomar um café à sua habitual pastelaria do bairro e ouvir um freguês da mesma queixar-se e revoltar-se contra os pingos de chuva que apanhou entre o passeio (em cima do qual estacionou..) e o estabelecimento, poderá esboçar um sorriso benevolente, pensando em quanto é difícil a vida de um comum cidadão… Posto isto, caro leitor, fica então aqui o convite/desafio para começar a mudar de vida, quebrando rotinas e práticas instaladas, associando-se (de modo gratuito, diga-se) a estas voltas domingueiras, plenas de convívio e solidariedade entre vizinhos e amigos. E o próximo passeio, é já num Domingo perto de si...!! |
| Última atualização em Sáb, 23 de Janeiro de 2010 23:59 |


